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A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que, até 2020, a depressão passará da 4ª para a 2ª colocada entre as principais causas de incapacidade para o trabalho no mundo. Estima-se que 121 milhões de pessoas sofram com a depressão (17 milhões delas no Brasil). Além disso, 75% nunca receberam tratamento adequado.

A Federação Mundial para Saúde Mental entrevistou adultos diagnosticados com a doença, clínicos gerais e psiquiatras de cinco países, entre eles, o Brasil — os outros foram Canadá, México, Alemanha e França.

Os dados revelam que 64% das pessoas deprimidas já tinham se afastado do trabalho por mais de 19 dias no ano. Além disso, 80% admitiram que, mesmo sem o afastamento, a produtividade cai até 26%.

Segundo o chefe da Agência do INSS de Ivaiporã, Leandro Relings da Silva, é comum atender segurados com patologias de depressão.

Quando constatada a incapacidade laboral do segurado, ele tem direito ao auxílio-doença, após análise da perícia médica, que poderá ou não prorrogar o benefício.

“Dependendo da situação apurada pela perícia médica, o período pode ser maior ou menor.

E, verificando-se que a patologia acarreta incapacidade permanente, e observados os critérios médicos, é possível a aposentadoria por invalidez”, esclarece Leandro Silva, acrescentando que “verificada a possibilidade de reabilitação profissional, o segurado é encaminhado ao Programa de Reabilitação Profissional, cujo atendimento é conduzido por perito médico e pela assistente social, responsável pela avaliação e orientação profissional”.

A doença do século

A psicóloga do Instituto de Saúde Bom Jesus (ISBJ), Natali Frazão Pereira Proença, afirma que “a depressão é considerada a doença do século e não escolhe classe social, ou seja, qualquer pessoa está suscetível a desenvolver uma depressão”.

Segundo a psicóloga, quando a tristeza se aprofunda, gera angústia. Mas, para caracterizar uma depressão, é preciso ter cuidado, “porque é necessário avaliar o humor da pessoa, se ela tem crise de choro, falta de prazer nas atividades habituais, e se há sintomas associados, como, por exemplo, cansaço, hipersonia ou perda do sono”.

Entre os transtornos mentais que Natali Proença atende no ISBJ há mais casos de depressão, principalmente em mulheres com idade entre 20 e 30 anos, e em idosos.

A psicóloga conta que as mulheres se queixam dos relacionamentos, em que não há atenção e valorização em casa. “Conciliar a tripla jornada de trabalho – casa, marido e trabalho –, às vezes, é difícil para a mulher”, reconhece Natali Proença, lembrando que a depressão exógena, causada por situações externas, tais como a perda de uma pessoa ou rompimento de relacionamento, é uma das mais comuns.

Ela defende que a prática de exercícios físicos é importante, “porque ajuda a liberar hormônios relacionados ao humor, e outras atividades que proporcionam prazer”.

Uso de antidepressivos

Eliane Lumi Hashimoto, psicóloga do Posto de Saúde de Ivaiporã, alerta que um quadro depressivo pode levar uma pessoa a se afastar do trabalho. Por isso, no dia 1º de maio de 2009, quando foi celebrado o Dia do Trabalhador, houve uma ação denominada Saúde Mental do Trabalhador: stress e depressão. O intuito foi discutir a importância do auto-cuidado em saúde mental.

“Há um estudo que comprava a prevalência de doenças mentais na população e, inclusive, 20% terá algum transtorno mental. O índice de depressão está incluso nesses 20%”, comenta.

A psicóloga explica que é difícil definir a diferença entre tristeza, angústia e depressão. “Às vezes, uma pessoa está de luto, não tem emprego ou enfrenta problemas em casa e acaba por confundir a tristeza ou a angústia com a depressão”.

Eliane Hashimoto atende vários tipos de transtornos mentais, como, por exemplo, depressão, síndrome do pânico, angústia e tristeza, que, segundo ela, podem ser comorbidade de determinada doença. “Ou seja, quem tem síndrome do pânico ou câncer pode desenvolver a depressão”.

No município de Ivaiporã, há muitos casos tratados com antidepressivos. Mas não há registro do número de pessoas que são atendidas por causa da depressão.

Segundo a psicóloga, no ano passado, começou a ser feito um levantamento sobre situações de risco em saúde mental, “porque havia casos que não estavam sendo acompanhados e pessoas que usavam, há 20 anos, antidepressivos e ansiolíticos”. Eliane Hashimoto explica o seguinte: “O objetivo é trazer o paciente e acompanhá-lo, por isso, estamos chamando a população que faz uso de psicotrópico para ser co-responsável pelo próprio tratamento.

Para isso, estamos promovendo um processo de conscientização, para que cada um entenda o próprio processo saúde-doença mental”.

Ela defende que “é importante pensar num tratamento integral com visão bio-psico-social, uma vez que a depressão envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais”.

A farmacêutica responsável pela farmácia do Posto de Saúde de Ivaiporã, Lilian Katiani Shimabuku Silvestre, conta que o município conta com o médico Paulo Tassinari, que atende especificamente transtornos mentais, tentando racionalizar o uso de medicamentos psicotrópicos.

“Muitas pessoas tomam medicamentos por tomar ou como forma de fuga”, disse a farmacêutica, alertando que somente o médico pode retirar a medicação ou iniciar um tratamento medicamentoso no paciente, e sempre que necessário é encaminhado para acompanhamento psicológico.

No Posto de Saúde, o número de receitas continua praticamente o mesmo se comparado há um ano.

Ou seja, entre 18 a 22% dos atendimentos na farmácia é de medicamento controlado. “Nesse caso, a doença psíquica atinge aproximadamente 20% da população”, comenta a farmacêutica.

Segundo dados fornecidos por ela, entre novembro de 2009 e fevereiro de 2010, foi atendido o seguinte número de receitas:

Novembro/2009: 6.204 receitas (1.170 medicamentos psicotrópicos);

Dezembro/2009: 6.412 receitas (1.249 medicamentos psicotrópicos);

Janeiro/2010: 5.557 receitas (1.027 medicamentos psicotrópicos);

Fevereiro/2010: 5.350 (994 medicamentos psicotrópicos).

Lilian Silvestre afirma que as doenças psíquicas atingem cada vez mais adultos jovens em idade produtiva. “Atualmente, o mundo cobra das pessoas, por exemplo, sucesso profissional e bons salários.

Mas nem sempre as pessoas conseguem sucesso, tanto no âmbito profissional, quanto pessoal, o que acaba por provocar um quadro depressivo”.

“Cada pessoa deve ficar atenta para identificar a causa da depressão, porque muitas pessoas fogem do problema tomando um antidepressivo como se resolvesse um luto ou uma separação conjugal”.

Às vezes, a pessoa vê no antidepressivo a saída para o sofrimento, enquanto em alguns casos o medicamento é extremamente necessário”, diferencia a farmacêutica.

Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria

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